Maldivas sem ir à falência

Sim, é possível ir às Ilhas Maldivas sem falir.

Vamos começar do começo, certo? As Ilhas Maldivas localizam-se no Oceano Índico, à nordeste do Sri Lanka e da Índia, e à sudeste das Ilhas Seychelles. É uma república composta por 1.190 ilhas, a religião é 100% muçulmana, a capital se chama Malé, a moeda local é a Rufiyaa Maldiviana e o idioma oficial é o dhivehi, mas inglês é falado pelas pessoas que trabalham diretamente com turistas.

Ilhas Maldivas

Foi um bocado de acessos neste Google de meu Deus para decidir para qual ilha ir. Afinal são mais de 1.000 opções, certo? Dois pontos foram o norte para a pesquisa e decisão: não queria ir para uma ilha-resort, mas sim ir para uma onde tivesse menos turistas, para ter contato direto com a vida maldiviana. E assim a elegida foi Ukulhas, distante 1h30min de speed boat do Aeroporto Internacional Velana, localizado há 2 km da capital Malé. Sim, é uma ilha só para o aeroporto. Mas não é um aeroporto pequenino, lá pousam Boeings e Airbuses de companhias aéreas como Emirates, Qatar, Alitalia, United, Sri Lankan Airlines, dentre várias outras.

Ukulhas

Ukulhas possui pouco mais de 900 (isso mesmo, novecentos) habitantes. Ela é tão pequena que da avenida principal você enxerga o mar por todos os lados. São 1.025 metros de comprimento x 225 metros de largura. Rapidinho você dá a volta nela caminhando. Na ilha há uma mesquita, que ecoa o chamado para a oração igual em Dubai. Os pequenos comércios fecham por 15 ou 20 minutos cada vez. Há três mercadinhos que vendem o essencial, como água, refrigerante, chocolates, algumas frutas, produtos de higiene pessoal, bolachas e num deles vi até um pouco de materiais de construção. Somente um aceita cartão. Os outros somente cash, tanto faz rufiyaas ou dólares americanos. Porém eles não dão troco em USD, somente na moeda local. Não há caixa eletrônico nem banco na ilha.

Ukulhas

Não tem nenhum cachorro, somente dois gatos. O principal meio de transporte são motos, bicicletas ou barcos. Há apenas dois carros, parecidos com o Smart mas eram da Mitsubishi. Muitas palmeiras, ruas somente de areia, casas humildes, coloridas e com quintais sujos e bagunçados. Crianças brincando pela rua o tempo todo. Mulheres com suas abayas e burcas pretas, num calor de 33°C, sentadas na frente das casas, com seus smartphones em mãos. Nenhum resort, nenhum bangalô em cima d’água. Somente pousadas, porém com o essencial para o turista: cama, chuveiro quente, cadeira e guarda-sol na areia. Eles se esforçam bastante para se comunicar em inglês. Temos que falar devagar para que nos entendam. É um povo muito simpático e educado.

Ukulhas

A pousada que fiquei foi a Ukulhas Inn, que reservei pelo Booking.com. Meu quarto tinha uma cama de casal, TV a cabo, wifi, minibar com água a vontade, um pequeno armário, adaptadores de tomada, ducha quente e ar condicionado. Não era na beira da praia mas poucos metros me separavam dela. Café da manhã, almoço e jantar inclusos. As refeições vinham de um dos poucos restaurantes da ilha. Todos os dias eu preenchia uma fichinha com os itens escolhidos do cardápio e no horário combinado, a mesa estava posta em frente ao meu quarto. A comida era simples mas muito deliciosa, sendo o atum o carro chefe da maioria dos pratos.

Cada diária me custou USD 99,45 com pensão completa + toalha de praia + cadeira + guarda-sol + equipamento de snorkeling + pé de pato. Mais barato que qualquer pousada em ‘Guarachuva’ no verão paranaense. O transporte aeroporto/ilha/aeroporto custou USD 100,00, com direito a wifi, tomada USB e água mineral no trajeto. Há o ferry também, é mais barato mas a viagem leva 4 horas e com o speed boat somente 1h30min.

Para chegar ao Aeroporto Internacional de Malé, a partir de Dubai, onde eu estaria, comprei bilhetes antecipados, de ida e volta, no site da Sri Lankan Airlines no valor de R$ 1.628,85 com taxas. Incluía uma conexão em Colombo, capital do Sri Lanka. Pelo dobro do valor eu poderia ter voado direto de Dubai a Malé pela Emirates. Mas optei por parar no Sri Lanka para sentar e tomar uma xícara de ~chá~. RISOS.

Ukulhas pelo que pude perceber é o paraíso dos italianos. Só ouvia italiano na praia. Até conheci umas gurias super legais, fizemos passeio juntas, jantamos e somos amigues no Facebook.

É lógico que alguma coisa tinha que me acontecer. Ou melhor, duas. Como eu poderia voltar pra casa sem perrengues pra contar? A primeira é que, como sendo uma ilha muçulmana, você deve respeitar o código de vestimenta. Biquínis/sungas/maiôs só são permitidos na praia. Nas ruas é proibido andar descoberta. Então sempre carregue consigo uma canga, nem que sua pousada seja há 20 metros da praia. Você será mal vista se tiver andando nas ruas somente com roupa de banho. Educadamente uma mulher me parou, nas primeiras horas que eu estava lá, dizendo que eu deveria me “cobrir” e que só era permitido usar biquíni na praia. Como boa polaca, instantaneamente minhas bochechas ficaram vermelhas e já fui tirando a saída de banho da sacolinha. Vesti e claro que pedi um zilhão de desculpas. #fikadica

A segunda coisa, fica pra um próximo post. Mas já deixo frisado o seguinte: nunca guarde sua GoPro (com os vídeos de snorkeling) em bolsinhos internos de mochilas. Ela pode ficar esquecida lá e se você tiver excedendo o peso da sua mala, de repente você queira se desfazer de algum peso morto. Aí você escolhe sua mochila pra jogar numa lata de lixo do aeroporto, pois ela já está arrebentando e só lembra que a GoPro estava dentro dela quando está quase chegando no Brasil. #lagrimas

Voltando ao título do post, viu só como é possível ir às Maldivas sem falir? Você nem precisa pagar USD 65,00 por um passeio de snorkeling no meio do mar. Você pega o equipamento grátis na pousada mesmo e vai mergulhar na praia, que é cheia de corais e peixes. Ou então USD 70,00 por um mergulho de cilindro, que é 1/3 do valor que custa em Fernando de Noronha, por exemplo.

É possível gastar USD 1.000,00 ou USD 100.000,00 numa viagem dos sonhos às Maldivas. Minha viagem dos sonhos incluiu muitos dias de sol, mar, amizades e um enriquecimento cultural impagável.

 

Mais informações aqui.

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