Da minha vida invejável

“Você tem uma vida invejável”. Foi o que eu ouvi de uma colega um domingo à tarde, quando nos encontramos numa padaria. Confesso que fiquei sem reação e não consegui responder nada, além de um “que nada, eu trabalho”, como se eu só viajasse pro exterior e não fizesse outra coisa da vida. Daí decidi que cabia uma reflexão aqui no blog.

Pois bem. Aqui vai a rotina da minha vida invejável. Eu acordo todos os dias às 07:00h da manhã, de segunda à sábado. Eu trabalho de segunda à sexta das 08:00h às 18:00h com 1h30min para almoço. Sábado eu trabalho das 08:00h às 12:00h. Eu cumpro horário como todos os outros funcionários da empresa, mesmo sendo “dona da firma”, afinal o exemplo vem da onde mesmo? Eu uso uniforme também, igual o dos outros.

Você nunca vai me encontrar batendo perna no shopping ou sentada tomando um café em algum lugar durante o horário de trabalho. Posso contar nos dedos quantas vezes, em oito anos de empresa, que eu fiz isso. Eu cuido de 13 funcionários e todos os problemas que vem junto com eles, além de todo o financeiro da empresa. Também faço a parte administrativa porque a secretária que eu tinha não agiu de acordo e preferi ficar sozinha. Ah, e também eu cuido do caixa, respondo orçamentos, atendo telefone, e quando falta vendedor, vendo também. Afinal de contas, pra saber mandar tem que saber fazer. Tem dias que eu não consigo sair pra usar o banheiro. Eu pago contas, vou aos bancos, ouço reclamações.

Após o expediente, frequento aulas de francês e vou ao Pilates. Pretendo começar um esporte novo este ano, talvez corrida ou tênis. Não perco tempo com novelas e o pouco tempo que me sobra para a televisão, assisto a algum noticiário (Globo News ou CNN em espanhol) ou algum programinha mais light, daqueles da GNT. Filmes só no fim de semana, isso quando eu não durmo na metade.

Meu carro não está entre os melhores do ano, mas é um bom carro. As roupas que eu uso são compradas no exterior, porque rico é que pode pagar R$ 400 numa pólo da Tommy aqui no Brasil. Eu compro fora pelo simples fato de ser ridiculamente mais barato que aqui. Eu não gasto R$ 1 mil numa calça jeans porque eu fico bem com uma de R$ 200. E os R$ 800 que me sobra vai pra poupança que eu faço pra viajar para o exterior. Meus sapatos da Arezzo são comprados na promoção. E mesmo no exterior não tive coragem de pagar US$ 200 numa bolsa Michael Kors.

Eu não tenho filhos, nem marido, nem casa (ainda) para pagar despesas. Mas essa é uma escolha minha. Por isso, claro, me sobra mais dim dim no final do mês. Essa modinha de ostentação não faz parte de mim. Eu frequento bons restaurantes e pra isso não tenho dó de gastar. Eu bebo uma cerveja tcheca que custa R$ 25 a garrafa que não dá 1 litro, e não me importo com o quanto ela custa. É a satisfação que ela me dá quando estou compartilhando daquele momento com alguém especial, nem que seja eu mesma no quintal lá de casa.

Importante comentar que a louça que eu uso não é porcelana chinesa, os talheres não são de prata e as taças não são de cristal. Conhecem os copos Nadir? Sempre estão em promoção no supermercado. São estes mesmos que minha mãe compra. E tem louça de 34 anos lá em casa. Eu não me importo em ir no almoço beneficente e levar meu talher enrolado no pano de prato, muito menos comer no prato de papelão. O almoço mais divertido que eu tive até hoje foi sentada debaixo de uma árvore em Roma, junto com os meus amigos.

Em 2011 eu criei este blog para compartilhar minhas experiências, porque achava um egoísmo guardar tudo pra mim. E fico super feliz de poder contar as novidades que vivi pra quem quiser ler. Mesmo que não houvessem leitores, eu continuaria escrevendo, porque um dia eu mesma voltaria lá atrás nos posts, pra reviver tudo aquilo. E tamanho foi o sucesso disso que, no finalzinho do ano passado, fui convidada a escrever mensalmente uma coluna, para uma revista da cidade, a qual leva o mesmo nome do blog!

Quando eu viajo, eu uso muito transporte público, um único par de tênis e um Crocs. Não tem maneira melhor de explorar uma cidade senão à pé. Táxi só em caso de necessidade. O transporte coletivo no exterior funciona extremamente bem. Não ligo para hotel de luxo. Tendo uma cama, chuveiro e sendo limpinho está ótimo.

Quase não viajo aqui no Brasil, porque é caro e a infra-estrutura (a começar pelas estradas e aeroportos) é ruim. No México, conheci um arquiteto que ficou espantado quando eu disse que não conhecia Brasília. Fico envergonhada sempre quando digo isso, porque conheço muitas capitais afora menos a do meu país. Mais envergonhada ainda fiquei quando ouvi de um casal de americanos, no aeroporto de Oaxaca/MX que o atendimento da Aeromexico parecia o Brasil se arrumando pra Copa: lento demais.

Então minha gente, o que eu tenho pra dizer é que experiências valem mais que roupas no armário e o iPhone que você acabou de comprar ali na TIM e parcelar em 12 vezes. Outro dia eu li um post muito parecido com o que acabei de escrever, no blog do Matheus, e vocês podem ler aqui. É muito chato ouvir um “ai que chique” cada vez que alguém pergunta onde você comprou isso ou aquilo. Chique pra mim é quem paga o preço de um carro popular usado numa Louis Vuitton no Pátio Batel em Curitiba.

NuvensImagem: Google Imagens

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8 comentários sobre “Da minha vida invejável

  1. Oi, Paola!! Sempre leio seus posts e gostei desse em particular pq te conheço desde o tempo da escola e vejo que vc continua essa pessoa bacana, sem frescuras… e vejo que mesmo com o tempo e a distância, nossos gostos são muito parecidos, como se estivessemos convivendo juntas por todos esses anos! Parabéns pelo blog e sucesso!

    1. Oi, Pricila! A gente se conhece faz o que, uns 20 anos, pelo menos? Sempre que passo por Uvaranas eu lembro quando ia almoçar na tua casa depois da escola!
      Obrigada pelo comentário! É muito bom saber que mesmo de longe, de alguma forma, estamos conectadas! Beijo!

  2. Ao ter o convívio quase diário com essa autora, por praticamente 4 anos, descobri que ela não se faz e nem se vale de seu sobrenome ou de sua posição social… pelo contrário, mantém sempre suas origens em primeiro lugar (ela é sim a tal da polaca “simprona” hahahah), descobri na Paola uma amizade indescritível, daquelas que se vale sempre de valores, de valores morais. Valores os quais fizeram termos uma briga feia, muito feia, daquelas que só amigos de verdade tem, para poder dar boas risadas posteriormente! A vida invejável da Paola, não é viagens, bons restaurantes, roupas de marca,… e o que se pode invejar é sim o tamanho do seu coração (disponível para caronas diárias), uma família que tem lá seus arranca-rabos mas permanece unida sempre, sobrinhos educados e amáveis, uma educação indiscutível, força de vontade, amigos sempre fiéis (alguns nem tanto, mas isso a gente passa!!!). O que se tem de mais invejável na Paola (se é possível invejar isso…), é o fato de poder dividir com ela desde uma coxa de pato gordurosa até o melhor espumante num belo restaurante, e ela ser a mesma, sem nenhuma diferença, em todas as situações!!!
    Minha querida amiga… sua vida é realmente invejável, pois é você é simplesmente uma pessoa ILUMINADA!!!!

  3. Raquel

    “Rélou amiguinha” da vida invejável….hehehe Sabe, faz 6 anos que nos conhecemos e que carinhosamente fui acolhida pela sua família e hoje posso chamar de minha também… Se há algo a invejar, como diz a Ana Lígia, é a verdade em suas intenções, verdades essas que são a essência do seu coração. Ouvir dessas pessoas que acham que você vive num conto de fadas, prova quão vazia está a vida em geral. Saber de sua rotina, seus dilemas, suas angústias, a correria que é para dar conta de tudo e todos que te procuram me faz acreditar e repeitar ainda mais essa tal de vida invejável. Uma pena as pessoas ainda julgarem umas as outras pela capa/aparência e por poucas evidências mal entendidas.
    Obrigada por compartilhar suas vivências, aprendo muito com o que conta das viagens, das culturas que já conheceu e desperta em mim a vontade de também correr o mundo. Obrigada também, por compartilhar alguns desses momentos invejáveis como a bela companhia ao beber a tal da cerveja tcheca de R$25,00 a garrafa, ou o pão com linguiça no meio fio no país de origem dessa mesma cerveja…rsrsrs… continue vivendo invejavelmente, segundo o que seu coração orientar!!!!

  4. Patricia Teixeira

    Q texto bacana e honesto!!! Acredito que a vida deve ser feita de experiencias, de compartilhar, de conhecer e de respeitar… adoro viajar e ver as diferenças culturais de cada lugar (adoro os sotaques aqui do país mesmo). Se eu tivesse mais tempo viajaria mais… e vc continue compartilhando as experiencias com a gente!!! bj

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